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Biografia para Imprensa [clique aqui para baixar]




















Nasci numa cidade chamada Otjo, na África do Sul, e morei lá até os 5 anos de idade. Foi aos 4 anos que, pela primeira vez na minha vida, vi uma bateria em um programa de televisão, acompanhando uma banda de Jazz. Esse foi meu primeiro contato com o instrumento e, por muitos anos, o único. Em 1977 cheguei ao Brasil, em Foz do Iguaçu, cidade onde me apaixonei pelo futebol, e logo comecei a jogar profissionalmente pela seleção local. Por muito tempo tive a certeza de que seria um grande jogador, mas em 1985, com a realização do primeiro Rock In Rio, as coisas começaram a tomar outra dimensão, e aquele baterista que eu vi na TV aos 4 anos começava a ter um sentido maior para mim. Durante todo o festival, montei uma bateria de latas, potes de sorvete e galões de gasolina, e comecei a batucar no fundo da minha casa. Um ano depois, com alguns amigos da escola, comecei a dublar o Ultraje a Rigor [ver mais], o que mudou a minha vida, pois a partir daí eu só ficava sonhando em um dia conseguir ser um grande baterista, até que consegui a minha primeira bateria, que era formada por uma caixa e um tom (que peguei emprestado da fanfarra da minha escola e nunca mais devolvi!), um bumbo, um chimbal e um prato que era pendurado no teto, porque eu não tinha pedestal.Quase toda semana íamos dublar o Ultraje em um programa de televisão de uma emissora da cidade, e em um desses programas uma banda de baile chamada Tropical Band me viu tocando, ou melhor, dublando, mas eles acharam que eu levava jeito para a coisa. Então, convidaram-me para tocar com eles. Na mesma noite, fui ao bar imaginando que eles me ensinariam as músicas e tudo mais… Mas eu estava muito, muito enganado.Chegando lá, jantamos, conversamos um pouco e, logo em seguida, com o bar já bem cheio, disseram-me: “Vamos lá ‘Menudo’, vamos tocar.” Eu me sentei naquela bateria e falei: “Como vou tocar se nunca toquei com uma bateria completa e muito menos com esses caras?” Assim, com muito esforço, comecei minha vida profissional na bateria.Todas as noites eu tocava e, no dia seguinte, às 7h da manhã, já estava acordando para ir à escola. Foi um ano muito difícil, mas ao mesmo tempo muito proveitoso para meu desenvolvimento profissional.A primeira banda da qual participei com a minha “gigantesca” bateria foi a Stylo Livre, em 1987 [ver foto] [ouvir a música], e novamente a história repetiu-se: os integrantes da banda viram-me tocando com a Tropical Band e gostaram da minha atuação. Uma semana após terem me visto, convidaram-me para tocar com eles. Naquela época tudo era muito novo, e o fato de sermos a primeira banda de rock da cidade abriu diversas portas e nos deu chances que hoje em dia uma banda iniciante não teria. Aparecíamos em diversos programas de TV e rádio, e também em revistas e jornais. Nesse período, um fato fundamental para o meu direcionamento musical foi ter escutado a música Caught Somewhere in Time, do Iron Maiden, em uma rádio local e, logo após isso, comecei a conhecer toda a discografia dessa banda, a qual foi uma grande influência por muitos e muitos anos.Todos nós da Stylo Livre acreditávamos no futuro da banda, tanto que o baixista, empolgado, comprou uma bateria e finalmente eu pude tocar em um instrumento de verdade.Tudo era um sonho, até que um dia fiquei sabendo que minha família se mudaria para Porto Alegre, e eu não teria como ficar em Foz do Iguaçu.Lutei até o último dia pra ficar, mas realmente isso era impossível, pois eu só tinha 17 anos. Então, fui para Porto Alegre e logo que cheguei fiquei bastante empolgado, pois havia um movimento de bandas locais que começavam a tomar espaço no meio musical do país, e achei que isso poderia facilitar a minha caminhada rumo ao sucesso. No entanto, foi bem pior do que imaginei, porque não conseguia entrar em nenhuma banda da cidade, nem vaga em alguma escola onde pudesse fazer novos amigos e conhecer gente do meio. Finalmente, depois de um tempo, voltei a estudar e um cara me convidou para tocar em sua banda, pois me via “batucando” na classe e imaginou que eu fosse baterista. A banda era a Nômades de KZAK [ver foto] [ouvir a música]. Fizemos alguns shows, mas as diferenças musicais não demoraram a aparecer e logo deixei a banda.No início de 1989 comecei a deixar anúncios oferecendo-me como baterista em vários estúdios. Certo dia procuraram-me, e dessa vez o nome da banda era Lucas Scariotys [ver foto] [ouvir a música].Essa banda já se aproximava mais do que eu queria fazer: um som pesado e sem regras. Fiquei quase dois anos na banda e fizemos muitos shows, mas também começamos a encontrar algumas divergências sobre o que pensávamos a respeito do futuro da banda. Eu sempre quis trabalhar com música e tentar viver somente dela, mesmo tendo sempre trabalhado em outras áreas em paralelo. Infelizmente, comecei a perceber que não era tão fácil encontrar as pessoas certas para se ter uma banda e, novamente, saí do grupo. Isso aconteceu, de fato, após assistirmos ao filme do The Doors, pois toda a banda achou que deveríamos ter aquele tipo de comportamento sem compromisso algum e, a partir daí, tratei de cair fora e procurar outra banda. Isso só fez com que eu detestasse ainda mais o Doors…Já era junho de 1991 e lá estava eu, de novo, de olho nos classificados do jornal até, finalmente, achar uma banda de heavy metal: era a Spartacus [ver foto] [ouvir a música].A minha única dúvida era saber se eu realmente teria condições técnicas pra tocar nela, que já era uma banda famosa e respeitada em Porto Alegre. Eu tinha acabado de fazer 20 anos e estava acreditando, mais do que nunca, que meu futuro seria como baterista, e lá fui eu para os testes até conseguir a vaga. Fiquei muito feliz, pois tinha entrado em uma banda que era cultuada por todos os músicos da cidade. Ensaiávamos bastante e começamos a fazer alguns shows para mostrar a nova formação, que estava bem afiada. No mesmo ano, gravamos uma nova demo tape e partimos para a maior empreitada da banda com a nova formação: um show com mais três bandas em um auditório para cinco mil pessoas. Para a nossa surpresa, a procura pelos ingressos foi tão inexpressiva que cancelaram o show e, com isso, toda a nossa união e desejo de continuar tocando juntos foram embora. A formação da banda era excelente, mas havia alguma coisa que me dizia que ainda não havia chegado a hora. Nessa mesma época, paralelamente à Spartacus, eu participei da minha primeira banda cover, a Raro Efeito [ver foto] [ouvir a música], que mais tarde teve a participação do vocalista que havia tocado comigo na Spartacus.

A banda durou quase dois anos e a falta de shows acabou gerando o seu fim.O ano seguinte, 1992, foi fundamental e decisivo para a minha carreira. Entrei em uma banda chamada Ecos do Silêncio [ver foto], que era formada por pessoas bem mais jovens que eu e, por isso, não tinham o menor comprometimento em querer levar a banda a sério. Minha passagem pela banda foi meteórica e também sem o menor comprometimento, pois estava ali apenas para não perder a prática. Foi também nesse ano que, finalmente, pude assistir ao show do Iron Maiden em Porto Alegre e, “grudado” na grade, vi aquilo como se fosse a minha banda, como se fosse uma premonição. Eu precisava continuar. Não podia desistir.No dia seguinte, tive uma conversa séria com a minha Irmã e pedi para que ela me financiasse uma bateria importada. No mês seguinte, após encher muito o saco, eu consegui a minha primeira bateria importada, com a missão de arrumar uma nova banda cover para pagar a minha dívida. Até que surgiu a banda Hora H [ver foto] [ouvir a música], com a qual fazia muitos shows e viajava o estado do Rio Grande do Sul inteiro. Pela primeira vez na vida, comecei a ganhar dinheiro com música. Mas isso não era tudo, pois eu ainda não tinha uma banda fazendo música própria, o que começou a me incomodar muito. Então, passei a procurar uma nova banda sem deixar a Hora H, e assim conheci o grupo no qual mais acreditei até então: Pistys Sophia [ver foto] [ouvir a música]. Essa banda tinha um grande potencial e muito mais: tinha estilo e músicos muito mais experientes que eu (a banda contava com Ivan Zukauskas, da extinta Astaroth), e foi nessa época que senti a necessidade de começar a tocar com pedal duplo. A musicalidade da banda era tanta que, anos mais tarde, o Hangar gravaria, no disco Inside Your Soul, uma nova roupagem da música Legions (que você pode ouvir acima a versão demo da Pistys Sophia), e que foi batizada Savior. Estava tudo indo muito bem, a MTV Brasil tinha um espaço bom para o metal nacional e toda a cena estava fervilhando em busca de novas bandas e novas promessas. Até que, em meio a tantas promessas, a banda acabou pressionada para aproveitar o momento, e começaram as famosas brigas internas. Fui o alvo principal, pois ainda não tocava bem com o pedal duplo e o pessoal reclamava que eu não conseguia manter o andamento, nem tinha a pegada necessária para a banda (que ironia, hein?). Saí decidido a somente estudar bateria e continuar tocando em bandas cover para ganhar algum dinheiro.Após sete anos tocando, fui ter aulas de bateria para merecer o instrumento que havia comprado. Entrei de cabeça no estudo com 21 anos e tentei recuperar todo o tempo que havia perdido. Primeiro estudei com Mimo Aires, depois com Thabba e, finalmente, com Kiko Freitas. Tenho uma enorme gratidão por esses três profissionais que, além de me ensinarem a parte técnica, também me mostraram o que é ser profissional. Eles me prepararam para o mercado, e esse conhecimento está comigo até hoje. Eu tinha uma aula por semana à noite; nas outras, ficava estudando desesperadamente em uma bateria de estudo no meu quarto. Outra coisa que me ajudou muito foi que quando o meu chefe viajava, eu ficava sozinho no escritório, pois era uma espécie de “office boy” e “faz tudo”, e a saída dele possibilitava que eu praticasse o dia inteiro em um pad de borracha, o que também fazia boa parte da noite. Estudava em torno de doze a quatorze horas por dia. Dois anos depois, já bem melhor tecnicamente, perdi meu emprego e passei pelos piores oito meses da minha vida. Havia deixado as bandas cover para ter mais tempo para estudar e fiquei meio fora do mercado. Quando precisei voltar, já não tinha mais os contatos e muito menos um emprego. Segui estudando muito, pois tinha o dia inteiro livre e precisava aproveitar. Eu tinha todo o tempo do mundo, mas faltava motivação, pois estava sem banda e sem dinheiro.

Já era 1994 quando fui convidado para tocar em uma banda instrumental chamada Infra Blue [ver foto], e foi tentando tocar essas músicas de um baterista chamado Deen Castronovo que mudei minha maneira de ver a bateria. Fui atrás de todos os discos em que ele tocava e da sua vídeo-aula, e aos poucos comecei entender os grooves e frases que fazia. Como as demais bandas nas quais toquei, a Infra Blue não durou muito, mas em compensação havia conhecido o baterista com quem mais tinha me identificado, então só por isso já tinha valido a pena. Paralelamente a essa banda, fomos convidados (eu e os outros integrantes do Infra Blue) a integrar o Apocalipse Now [ver foto] [ouvir a música], que fazia um som na linha do rock’n'roll básico e que tinha o intuito de ser uma banda comercial com grandes contatos em gravadoras multinacionais e no meio musical; no entanto, nada disso aconteceu e acabamos os três deixando a banda de uma só vez. Nunca mais voltamos a tocar juntos.

No início de 1995, decidi que não poderia mais ficar sem um emprego, pois já estava com 24 anos e nada tinha acontecido na minha vida musical. A cada semana que passava, eu ficava mais desesperado por não arrumar emprego e isso estava afetando a minha fé em conseguir alguma coisa séria e realmente grande com a música. Desisti… Prometi para mim mesmo que a música seria apenas um hobby e que, a partir daquele momento, eu conseguiria um emprego normal e me dedicaria muito a esse trabalho. Procurei muito e após várias entrevistas e testes consegui um emprego em uma multinacional [ver foto] em outubro do mesmo ano. Fiquei muito feliz, mas ainda faltava alguma coisa e eu sabia exatamente o que era.

Foi em novembro de 1997 que formei o Hangar [ver foto] [ouvir a música]. Começamos tocando covers de heavy metal antes de montar um repertório próprio. Por eu estar empregado, ensaiávamos todos os finais de semana em torno de oito a dez horas por dia, pois a banda tinha uma determinação incrível e todos estavam muito engajados, sabiam que investir aquele tempo era necessário. A carreira da banda em Porto Alegre foi fulminante e com menos de um ano de existência (por ironia do destino) fomos convidados para abrir o show do Angra, banda que, no mesmo palco, dois anos antes, me motivara a montar o Hangar. Esse show de abertura para o Angra teve alguns pontos interessantes: nossa banda era um tanto novata no cenário e começamos a ouvir alguns boatos de que o promotor do show estava tentando falar conosco para fazer a abertura, mas não tinha nenhum contato. Como a data do show se aproximava e nada se confirmava, peguei meu carro e fui até a loja do cara. Quando parei no primeiro semáforo vi, no vidro do carro que estava na minha frente, dois adesivos: Hangar Lavagem e Angra Veículos… A partir dali eu sabia que era só questão de tempo para dividirmos o palco com o maior representante do metal melódico do Brasil no mundo! O show aconteceu e até hoje me lembro de cada detalhe que antecedia a nossa apresentação… Mas eu mal sabia o que o destino me reservava… Esse show foi definitivamente o ponto alto da trajetória do Hangar até então, e em seguida começamos a gravar nosso primeiro álbum chamado Last Time, que saiu em maio de 1999.

O CD foi muito bem recebido pela crítica especializada e, em seguida, a banda alcançou projeção nacional. Durante os shows de divulgação do Last Time, começaram a aparecer as primeiras oportunidades para eu tocar com outros artistas. O primeira delas surgiu por parte do Tritone [ver foto] [ouvir a música], projeto Instrumental composto por Edu Ardanuy (DR. Sin), Frank Solari (Solo) e Sérgio Buss (Solo/Steve Vai). Acompanhei esse trio de guitar heroes nos shows de lançamento do CD Just For Fun And Maybe Some Money, que foi gravado com bateria eletrônica.

Em outubro do mesmo ano, o Hangar tocou em São Paulo no lendário Black Jack Rock Bar, e foi após esse show que surgiu o convite para que eu gravasse, junto com outros brasileiros, um disco de Paul Di’Anno (ex-vocalista do Iron Maiden) [ver foto] [ouvir a música]. Comecei a perceber que meus sonhos estavam se tornando realidade, pois ia gravar um CD com o primeiro vocalista da banda que tinha sido a minha maior influência desde que havia começado a tocar. O CD Nomad foi gravado em São Paulo, em 2000, e logo a banda saiu em turnê pelo país, quando percebi que outras pessoas já conheciam o meu trabalho junto ao Hangar. Lembro-me que no primeiro ensaio da tour, quando o Felipe começou a tocar Remember Tomorrow (foi nessa época que conheci Felipe Andreoli, que mais tarde tocaria comigo no Angra), não acreditei que aquilo pudesse estar acontecendo, eu ensaiando para a minha primeira tour pelo Brasil junto com o Paul Di’Anno! Muitas coisas estavam acontecendo depois de um período tão conturbado, e isso fez com que eu acreditasse que meu trabalho começava a ser reconhecido.

Em seguida foi agendada uma turnê pelos EUA, e isso tinha deixado toda a banda muito excitada: a primeira e tão sonhada tour fora do Brasil. Nessa época eu já estava morando em São Paulo, pois tinha sido transferido pela empresa onde trabalhava, e meu chefe (o cara era muito gente fina) tinha arrumado um jeito para eu fazer toda a tour. Eu já estava acreditando que alguma coisa muito boa estava por acontecer, principalmente porque tocar na banda Di’Anno estava trazendo uma repercussão excelente para o Hangar.

Foi em setembro de 2000 que começaram os primeiros contatos com o Angra, pois eu estava na Feira da Música em São Paulo e o Edu Ardanuy me apresentou Kiko Loureiro. Conversamos um pouco e ele percebeu que havia certa afinidade para trabalharmos juntos. Kiko, então, me convidou para fazer um teste. Entretanto, eu tinha um problema grave: minha bateria ainda estava em Porto Alegre devido a alguns compromissos do Hangar, e em hipótese alguma eu aceitava fazer o teste em uma bateria que não fosse a minha. O Hangar tinha agendado um show, em novembro, novamente no Black Jack, em São Paulo, e eu falei para o Kiko que após o show eu poderia fazer o teste. Foi quando ele e o Rafael disseram que já estavam testando outros bateristas e que, caso achassem algum interessante, eu perderia a chance. Na hora eu falei para eles: “Façam o teste com quem vocês quiserem, mas não decidam nada antes de me verem tocando.” Mais tarde eles me disseram que essa confiança e segurança que eu tinha passado foram decisivas para que eles esperassem para me ver tocando ao vivo. No dia do show do Hangar no Black Jack, lá estavam eles, e eu super nervoso, pois sabia que a aprovação dependeria da minha atuação naquela noite, e para piorar ainda mais, o bar estava meio vazio, o que facilitava para eles prestarem mais atenção ainda. Logo após o show, conversamos rapidamente, pois todas as pessoas que estavam no bar já tinham notado a presença deles, então tentamos ser os mais discretos possível para não gerarmos fofocas. O meu teste foi fazer o arranjo de uma música nova: Running Alone. Eu ainda estava trabalhando na multinacional e passei dois dias ouvindo o CD só com as guitarras e com o metrônomo. Ficava imaginando as levadas que poderiam se encaixar naquela música. Quando cheguei para o teste, pedi alguns minutos para experimentar algumas coisas, e depois chamei os dois para o teste definitivo. Logo na primeira passada pela música, percebi que eles gostaram. Permanecemos tocando por mais um tempo, e isso fez desse dia o mais feliz da minha vida. Ficamos mais alguns dias arranjando outras músicas e, informalmente, recebi o convite para ser o novo baterista do Angra – a banda que me inspirou a montar o Hangar e fez renascer em mim a vontade e o desejo de ser músico novamente.

Com o Angra, gravei os discos Rebirth (2001), Hunters And Prey (2002), Live In São Paulo (2003), Temple Of Shadows (2004) e Aurora Consurgens (2006). Em 2004, ainda tive tempo de lançar meu primeiro DVD instrucional intitulado Inside My Drums  [ver foto], logo após percorrer o país durante 2003, 2004 e 2005 fazendo mais de cem workshops. Em 2007, lancei meu primeiro livro instrucional para o desenvolvimento dos dois bumbos, chamado Inside My Psychobook – 100 Double Bass Patterns [ver foto]. De 2002 a 2007, fui eleito o melhor baterista de heavy metal pelas principais revistas e web sites especializadas no Brasil. No Japão, em 2002, pela revista Burrn! fiquei em décimo quinto lugar; em 2004, em quarto lugar; em 2005, em nono (sem disco lançado); em 2006, em sexto e em 2007 novamente em sexto lugar no ranking dos trinta melhores bateristas do mundo. Nessas votações [ver votação], estavam muitos dos meus ídolos. Nada mal para quem tinha o sonho de se tornar um baterista profissional! Mas o ano de 2006 reservava muito mais…

Logo em janeiro, a Mapex confirmou minha participação no Festival Drummer Live [ver foto] em Londres, e em fevereiro fiz meus primeiros workshops fora do Brasil. Foram cinco apresentações, passando por Colômbia, Portugal e Espanha [ver foto]. Em março, levei a tour de workshops para o Nordeste, com sete datas em treze dias e 8.500 quilômetros rodados, chegando a ficar na estrada por quase vinte horas para cumprir a agenda. Em abril, mais workshops pela América do Sul: três no Chile e uma no Peru.

Já em julho saiu o kit signature Aquiles Priester pela Mapex [ver foto]. Essa foi a primeira vez na história da música no Brasil que um brasileiro teve um kit signature lançado por uma empresa multinacional e de alcance mundial. E enquanto novos workshops aconteciam pelo Brasil, no mês seguinte a distribuidora local da Mapex batia um novo recorde de vendas da marca no país.

Como o show não pode parar nunca, saía o primeiro trabalho da banda Freakeys [ver foto], formada por mim, Felipe Andreoli, Fábio Laguna e o guitarrista do Hangar, Eduardo Martinez, e que traz uma abordagem musical completamente diferente de tudo o que já lancei com o Angra e Hangar. Em seguida, começaram as gravações do novo disco do Hangar.

Na Expomusic 2006, aconteceram as primeiras apresentações ao vivo do Freakeys, que tiveram sucesso total, além de ter ocorrido a estreia do novo vocalista do Hangar, Nando Fernandes. Também em setembro aconteceu o Drummer Live, em Londres, no qual acabei realizando o sonho de conhecer pessoalmente e tocar com ninguém menos que Nicko McBrain [ver foto].

No mês seguinte, aproveitando a passagem da tour de Aurora Consurgens pela Ásia, a Mapex e a Paiste confirmaram meus primeiros workshops no Japão e na China em fevereiro de 2007 [ver foto]. Em março, participei da maior feira musical do mundo, a Frankfurt Musik Messe, na Alemanha, na qual realizei dois workshops no estande da Paiste [ver foto].

E era hora de me concentrar na mixagem do novo disco do Hangar, The Reason Of Your Conviction [ver foto]. O disco teve seu processo de composição iniciado em janeiro de 2004, e a primeira demo só foi gravada no início de 2005, quando o Angra embarcou para a turnê européia de divulgação do disco Temple Of Shadows. As gravações de The Reason Of Your Conviction iniciaram-se somente em julho de 2006, logo após a confirmação de Nando Fernandes como novo vocalista, depois de quase um ano de procura pelo substituto de Michael Polchowicz, que saiu no final de 2005 devido ao novo direcionamento da banda. Essa direção surgiu naturalmente durante processo de composição do disco, que é um marco na minha carreira: tudo o que eu gostaria de expressar na minha carreira como músico e compositor está nesse trabalho. Foi a primeira vez em que trabalhei em todas as letras de um disco, que é conceitual, além de ter feito todas as melodias vocais junto do meu inseparável parceiro Fábio Laguna. E após quase três anos sem nos apresentarmos ao vivo em turnês, chegara a hora de o Hangar mostrar o potencial das novas músicas e também da nova banda ao vivo, que estava totalmente revigorada e pronta para realizar um dos projetos mais audaciosos do heavy metal no Brasil. Quem fosse aos shows poderia comprovar isso…[ver vídeo clipe da música Call me in the Name of Death]

The Reason Of Your Conviction, [ver foto] acabou saindo no final de 2007. E como o Angra acabou paralisando temporariamente suas atividades, o ano de 2008 acabou sendo dedicado integralmente ao Hangar e aos meus projetos pessoais. Vários shows com o Hangar foram realizados em diversas partes do país e no final do ano relançamos o disco de estreia da banda, Last Time – Was Just The Beginning [ver foto], em versão remasterizada e com DVD e faixas bônus.

No início de 2009, o fabricante de pratos Paiste que é dos meus grandes parceiros musicais, lançou no mercado brasileiro a série de pratos signature limitada PST5 Limited Edition Aquiles Priester. [ver foto 1] [ver foto 2].

Ainda no começo desse ano, foi anunciada oficialmente minha saída do Angra. A partir de então, minha dedicação passou a se concentrar no Hangar e começamos imediatamente a trabalhar no disco Infallible [ver foto] que foi composto durante um período em que a banda se recolheu em um sítio em Tatuí (SP), onde está instalada uma das principais escolas de música do país e por isso mesmo é considerada a capital da música do Brasil. Lá mesmo aconteceram a pré-produção e a gravação de guitarras, baixos, teclados e vocais através da unidade móvel do estúdio Daufembach, comandada pelo engenheiro de som Adair Daufembach. Já as baterias foram registradas no The Magic Place, em Florianópolis. Na sequência, viajei para a Alemanha para, junto com o produtor e técnico de som Tommy Newton, mixar e masterizar o disco no estúdio Area 51, em Celle, na Alemanha. O disco saiu no final de 2009 e se tornou sucesso imediato de público e crítica [veja o vídeo clipe da música Dreaming Of Black Waves].

Antes mesmo de iniciarmos nossa turnê do disco Infallible, ainda no final de 2009 eu gravei meu novo DVD, The Infallible Reason Of My Freak Drumming [ver foto], no qual enfatizei minha técnica de dois bumbos e também uma série de exercícios que foram a base do meu desenvolvimento na bateria. Eu mal poderia imaginar o reconhecimento e aceitação que esse DVD teria mundo afora. As músicas que toquei nas performances do DVD são basicamente do Hangar e do Freakeys. Finalmente agora eu tinha meu passaporte para o mundo da bateria internacional.

Antes de colocar o disco Infallible na estrada, mais uma grande surpresa na minha vida: fui convidado pelo guitarrista e compositor Vinnie Moore para excursionar com sua banda [ver foto 1][ver foto 2]. Foram 19 shows em fevereiro de 2010, passando por Itália, Turquia, Bélgica, Inglaterra, Espanha, Áustria e Grécia. Vale lembrar que em 1995, quando eu fazia parte do Infra Blue, tocávamos algumas músicas do Vinnie e de repente, quinze anos depois, lá estava eu tocando essas músicas novamente, mas com o criador delas, algo inimaginável para mim naquela época [veja aqui o vídeo de The Maze]. Na primeira vez em que tocamos Cinema (tema do disco Meltdown) nos nossos ensaios em Roma, outro filme passou na minha cabeça. Era inacreditável que aquilo realmente estivesse acontecendo! Nada como um dia atrás do outro…

Em março de 2010, iniciamos a The Infallible Tour 2010/2011, com uma grande novidade não só para o Hangar, mas também para todo o mercado brasileiro de heavy metal. Para poder levar toda a estrutura do nosso show a qualquer parte do país, a banda viajava num ônibus personalizado que levava músicos, equipe e todo o equipamento necessário para uma apresentação impecável. Foi mais um sonho realizado [ver foto] [veja aqui vídeo 1 do making of da tour][veja aqui vídeo 2 do making of da tour] e [veja aqui vídeo 3 do making of da tour].

Além de tudo isso, também encontrei tempo para finalizar e lançar durante a Expomusic 2010 minha biografia oficial, intitulada Aquiles Polvo Priester – De Fã a Ídolo [ver foto]. Mas como num ano podem acontecer muitas coisas, meu DVD The Infallible Reason Of My Freak Drumming e meu livro de técnicas de dois bumbos Inside My PsychoBook – 100 Double Bass Patterns [ver foto] também saíram em todo o mundo através da editora americana Mel Bay Publising Inc. [ver foto].

Logo depois, tive o privilégio de ser um dos sete bateristas escolhidos no mundo todo para as audições de seleção do novo baterista do Dream Theater, em substituição ao grande Mike Portnoy. Fiquei muito orgulhoso e extremamente feliz de ter participado da audição mais importante da música moderna mundial [ver foto 1] [ver foto 2] [ver video]. Apesar de não ter sido escolhido para ficar na banda, logo após essa audição, fui indicado por John Petrucci (guitarrista do Dream Theater) para fazer uma turnê europeia com o mundialmente conhecido guitarrista americano Tony MacAlpine [veja aqui o vídeo de The Violin Song], o que aconteceu no início de 2012.

E como minha vida sempre foi movida pela realização dos meus sonhos, antes disso, no dia 21 de maio de 2011, viajei para Nova Jersey (EUA) para realizar o maior sonho que um baterista pode ter, que é participar do Modern Drummer Festival 2011, que é considerado o maior evento direcionado a bateria do mundo [ver foto] [veja aqui o vídeo do PsychoSolo]. Ser o primeiro baterista de heavy metal brasileiro a participar desse evento é motivo de orgulho para mim.

Mas o maior e mais importante reconhecimento na minha carreira aconteceu em julho seguinte, quando apareci no ranking mais importante da bateria mundial, o Modern Drummer Readers Poll 2011. Entrei no ranking como 5° melhor baterista de prog metal do mundo [ver foto] ee meu vídeo The Infallible Reason Of My Freak Drumming foi o 3° como melhor DVD instrucional do mundo [ver foto]. Foi a primeira vez que um baterista brasileiro entrou nesse ranking da revista Modern Drummer USA.

Outro grande feito em 2011, foi ser escolhido o melhor baterista de heavy metal do Brasil por onze anos consecutivos desde 2001. Faço questão de dividir esta conquista com todos vocês que têm votado e apoiado o meu trabalho ao longo dos anos [ver foto 1] [ver foto 2] [ver foto 3].

As atividades com o Hangar voltaram a ter destaque em 2012 com o lançamento de nosso primeiro DVD/CD ao vivo e acústico. O disco foi gravado no SESC de Ijuí (RS) em dezembro de 2011 [veja aqui o vídeo do making of] [veja aqui o vídeo de Solitary Mind].

Enquanto isso, as marcas que me apoiam continuavam a me honrar lançando produtos signature. Em 2012, a fabricante de pratos Paiste lançou, em todo o mundo, o ride signature PsychOctopus Giga Bell Ride 18″ [ver foto] [ver vídeo], enquanto que a Mapex, que havia criado a bateria Mapex Limited Edition Aquiles Priester, no ano seguinte lançou, também para todo o planeta, a caixa signature Aquiles Priester’s PsychOctopus Black Panther Snare [ver foto] [ver vídeo].

O ano de 2013 começou muito bem para mim, Tony MacAlpine me convidou para gravar seu novo disco solo, Concrete Gardens.

Em 2013 também foi o ano do lançamento mundial de meu aclamado DVD, Aquiles Priester’s Top 100 Drum Fills, que também foi indicado para votação na revista americana “Modern Drummer Readers Poll 2014″, e foi eleito o Melhor DVD Instrucional do ano [ver foto] [ver ranking]. Nos 38 anos de existência da revista mais conceituada do gênero no mundo todo, Aquiles colocou o Brasil em primeiro lugar do ranking mais cobiçado da bateria mundial, fato inédito para um baterista brasileiro até então.

Em 2014, Tony me fez outro convite que me honrou muito, que foi a gravação de um DVD ao vivo no EMGtv [ver foto] [veja aqui o vídeo de Tears of Sahara] [veja aqui o vídeo de Concrete Gardens]. E em 2014 ainda consegui tempo para participar da gravação dos discos das bandas Noturnall (Brasil) [ver foto], Midas Fate (República Tcheca), Blackwelder (Estados Unidos) e do primeiro disco solo do vocalista brasileiro Marcello Pompeu, da banda Korzus.

Ainda em 2014, além do lançamento do primeiro DVD da banda Noturnall, First Night Live, [ver foto] [veja aqui o vídeo de Hate!], lancei lançou mais um disco com o Hangar, a coletânea The Best Of 15 Years, Based On A True Story… [ver foto] [veja aqui o vídeo clipe da música Let me know Who I am], e também lançou meu primeiro disco instrumental com o guitarrista Gustavo Carmo, Our Lives, 13 Years Later… [ver foto] [veja aqui o promo video]. E finalmente, a pedido de muitos fãs, lançou seu primeiro livro de play along, intitulado PsychOctopus Play Along [ver foto].

A parceria com Tony MacAlpine teria ainda mais frutos em 2014 com o convite para uma nova tour americana de mais de um mês por cidades que sempre quis conhecer [ver foto] [veja aqui o vídeo de King’s Cup].

E ainda nesse ano, surgiu mais uma proposta que muito me honrou: após minha audição, fui convidado para fazer parte da banda alemã de power metal Primal Fear [ver foto]. O mais legal e engraçado disso tudo, é que no primeiro show da banda Hangar, no lendário bar Garagem Hermética de Porto Alegre no dia 23.07.1998 [ver foto] [veja aqui um trecho do show], tocamos um cover do primeiro disco do Primal Fear (Tears of Rage) [conheça aqui a música].

Os planos para 2015 são muitos! Vamos gravar um novo disco e em seguida sair em turnê mundial. Mas antes disso, vamos tocar nos maiores festivais de heavy metal do mundo, incluindo o Monsters of Rock (meu primeiro show com a banda no Brasil), Bang your Head, Wacken, e muitos outros.

Hoje em dia me considero mais que realizado profissionalmente, fui muito além do que o Aquiles Priester (o sonhador de Fóz do Iguaçu) poderia imaginar… Além de tudo que vocês acabaram de ler, já realizei mais de 350 workshops em vários países e participei dos maiores festivais de bateria ao redor do globo, como Modern Drummer Festival (Estados Unidos), Montreal DrumFest (Canadá), Batuka! International Drum Fest (Brasil), La Rioja Festival (Espanha), Laguna Drum Fest (México), London Drum Show e Drummer Live (Inglaterra), International Summer Drum Camp (France), Thomas Lang’s Big Drum Bonanza (Estados Unidos), Musikmesse Frankfurt (Alemanha) e Namm Show (Estados Unidos).

Hoje olho para trás e vejo que, por mais duro que tenha sido o caminho que percorri para chegar onde estou, sempre tive perseverança para acreditar que quem realmente sonha e faz por merecer, consegue. Sou uma pessoa comum que tinha um sonho e correu atrás para realizá-lo, e por mais difícil e ardorosa que tenha sido essa jornada, no fundo eu sempre soube que esse era o meu destino: ser músico. Hoje em dia, continuo acreditando que a realização da nossa vida é diária, e isso mais tarde acaba se tornando parte da nossa história. Em todos esses anos, sempre existiram muitas superstições e outras coisas que me fizeram acreditar que esse era o caminho. No meio disso tudo, sempre tive comigo um provérbio chinês que diz: “Onde há uma vontade, há um caminho”.

Se você tem uma vontade, pode fazer o seu caminho…

Aquiles Priester